Somente os fabricantes vão lucrar com a TV móvel, dizem especialistas
18/03/2008
Computerworld
Para as operadoras, que querem obter receita, existem razões críticas, de acordo com a empresa. A falta de modelos de negócios é uma delas, entre outras mais sérias.
O suporte da União Européia ao DVB-H (o mesmo padrão da televisão digital) não vai ser suficiente para fazer da televisão móvel um sucesso na região, de acordo com analistas. Existe ainda uma falta de modelos de negócios, somado ao fato de que os consumidores estão se afastando do hábito de assistir à televisão aberta, dizem.
Esta semana a Comissão Européia mais uma vez defendeu o suporte da tecnologia de televisão móvel DVB-H, acrescentando-o à lista de padrões de países do continente devem encorajar e prestar suporte.
Mas os especialistas ainda não estão convencidos dos benefícios da tecnologia e da televisão móvel em geral. “O único setor que pode obter dinheiro com televisão móvel hoje são os fabricantes dos equipamentos, como a Nokia. Porque eles podem vender equipamentos de rede e telefones”, defende John Strand, analista de mobilidade da Strand Consulting.
Para as operadoras, que querem obter receita, existem razões críticas, de acordo com a empresa. A falta de modelos de negócios de trabalho é uma delas, entre outras mais sérias. O executivo está convencido de que os consumidores não vão querer pagar o suficiente para suprir os custos da produção de conteúdo. “Eu falei com a Nokia em diversas ocasiões, mas eles não me convenceram”, afirma Strand.
Martin Gutberlet, vice-presidente de pesquisa do Gartner, também não vê o negócio dando certo. “O que eles estão tentando fazer é reempacotar a TV para telefones celulares, usando os mesmos canais. Isso não é o que eu quero. Necessidades de conteúdo para serem adaptáveis para caber em telefones móveis, mais personalizados”, diz.
Ao mesmo tempo, a TV móvel terá de competir por atenção dos usuários com outras opções, como mensagem, telefonia e serviços baseados na web, como por exemplo, o Facebook.
O fato de que o DVB-H é um sistema de radiodifusão, não uma demanda de tecnologia sob demanda, é outra razão de possível estrangulamento. “Pergunte para qualquer diretor do mundo da televisão e eles vão dizer que a televisão por radiodifusão está morta e que o futuro é a televisão sob demanda. Por que você quereria investir em uma tecnologia que está morta?”, questiona Strand.
As operadoras deveriam olhar para o YouTube como inspiração, segundo Gutberlet. “Trechos curtos de imagem que em poucos minutos podem ser vistas em celulares”, diz.
A freqüência encena outra vertente de desafio. A EU vai ter que lançar um espectro comum para uso das televisões móveis. Optar por um padrão único é inútil se não existir espectro disponível para desenvolver isso, de acordo com os analistas da Ovum. Falta de espectro comum pode liderar uma interferência nas beiras do espaço.
Existe ainda a questão de o que fazer com o espectro disponível, como por exemplo as freqüências que se tornam disponíveis quando a TV analógica for desligada. Isso não foi determinado e a televisão móvel vai ter que competir com a televisão digital e radiodifusoras móveis por esse espectro.