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Recurso de interatividade chega antes para a TV digital dos aparelhos celulares
14/04/2008
Rodrigo Martins - Link Estadão
Padrão do software Ginga para celulares já está pronto; ao contrário da TV digital "fixa", não há problemas com royalties

Enquanto estiver assistindo à TV no telefone, você poderá participar de votações, obter informações sobre os programas, baixar o jingle do comercial e até comprar uma roupa igual à da protagonista da novela. A tão propagada interatividade da TV digital - que ainda não apareceu - também chegará ao celular. E deve ser antes do que na TV “fixa”.

A interatividade no celular usará tanto o sinal digital das emissoras de TV como a conexão da operadora de telefonia. Para receber dados, como enquetes, não se paga nada, já que a própria emissora faz a transmissão. Quando for necessário mandar uma resposta à emissora, como um voto, aí sim paga-se. Como a interatividade utiliza a rede de telefonia para estabelecer a comunicação com a rede de televisão, o uso do sistema pode ser interessante para as operadoras. Mesmo sem gastar nada enquanto assiste à programação da TV aberta, o usuário obrigatoriamente consumirá sua franquia de tráfego de dados para interagir.

Mais otimista, a Samsung prevê que a interatividade móvel estará disponível a partir do segundo semestre. Globo e Vivo são mais cautelosas e afirmam que “sai ainda neste ano.” José Marcelo do Amaral, diretor de tecnologia da Record, avisa: “A interatividade chegará primeiro no celular do que na TV da sala. Há problemas com o licenciamento do software de interatividade para receptores "fixos".”

Um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do software Ginga, que padronizará a interatividade, o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Guido Lemos de Souza Filho, explica a situação: “O software para celulares usa uma linguagem mais simples, de código livre, que não exige o pagamento de licenças. Já o software para os receptores ‘fixos’ usam uma linguagem mais complexa, ainda em fase de discussão de licenças.”

Segundo ele, a especificação do Ginga para o celular foi fechada em janeiro. Mas os fabricantes trabalham somente agora para tornar o software compatível com seus celulares. “Eles só tinham como adequá-lo quando os aparelhos estivessem prontos.” Souza Filho explica que esse processo leva dois meses. Ou seja, a partir de julho, já seria possível ter celulares interativos.

Os aparelhos da Samsung e da Semp Toshiba que chegam ao mercado agora não terão o software de interatividade. A Samsung promete que, quando estiver disponível, será possível instalá-lo nos aparelhos. Já a Semp Toshiba se esquiva. Por e-mail, informa que “como o Ginga ainda não está definido, não temos como saber como se dará a atualização”.

Enquanto isso, Globo, Band, RedeTV!, Cultura e MTV já começam a estudar o assunto. A Cultura faz planos concretos. Até o fim do ano deve ter aplicações interativas para programas infantis, com jogos, e para o programa cultural Metrópolis. “Nas eleições municipais, já iremos ter alguns testes no ar”, diz o diretor de novas mídias da emissora, Ricardo Mucci.


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