Sistema Brasileño de TV Digital
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28/04/2008
Mari Tortato - Gazeta do Povo
Os testes com transmissão digital de tevê começam em Curitiba em maio, numa parceria RPC/UTFPR. Esta edição do caderno Tecnologia apresenta algumas das novidades do sistema

Os testes com a tevê digital de alta definição em Curitiba estão prestes a começar. Em maio têm início as transmissões experimentais do canal 42, captado por antena UHF. A freqüência foi concedida pelo governo federal à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR, o antigo Cefet) e funcionará como um laboratório até a entrada comercial do sistema, prevista para outubro. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, deve aproveitar o piloto para inaugurar a tevê digital em Curitiba, em data ainda a ser definida.

A estréia comercial só deve ocorrer em outubro. O calendário ainda não está fechado, mas esse é o mês mais provável para a Rede Paranaense de Comunicação (RPC, grupo de comunicação que também é proprietário da Gazeta do Povo) começar a transmitir imagens de HDTV (High Definition Television) para Curitiba e região metropolitana.

Até lá, RPC e UTFPR trabalham em parceria para testar a tecnologia. Uma equipe de dez técnicos atua num núcleo de HDTV instalado na sede da RPC. A programação do canal experimental, porém, não será exclusiva da afiliada da Globo no Estado. “O conteúdo será neutro. A preocupação é com os testes técnicos obrigatórios, não a exibição da programação dessa ou de outra emissora”, diz o professor do curso de pós-graduação de Engenharia da UTFPR Alexandre Pohl, coordenador da equipe.
A RPC abriu parte da infra-estrutura digital que está montando para uso nos testes. O transmissor foi cedido pela indústria fabricante, a Linear Equipamentos, de Minas Gerais.

Se o software que conferirá interatividade do telespectador com anunciantes da TV aberta ficar pronto até o fim do ano, a TV digital de alta definição chega ao Paraná completa. Com cronograma atrasado, o pool de universidades brasileiras responsável por desenvolver o software Ginga, da interatividade, promete entregar o equipamento ao mercado em junho. O Ginga deveria entrar junto com o lançamento do sinal em São Paulo, em dezembro do ano passado. Ele funcionará como “ponte” entre o telespectador e o anunciante por meio de um clique no controle remoto.

Seis meses depois

O diretor de Engenharia da RPC, Enio Sergio Jacomino, estima que o sinal digital em alta definição estará disponível na época do lançamento comercial para as mesmas 2,5 milhões de pessoas com acesso à tevê na região, mas não arrisca uma projeção de quantas famílias estarão equipadas para receber a HDTV. “Não há uma projeção do mínimo. Ninguém está se preparando para uma coisa que ainda não existe”, afirma.

Das outras emissoras da cidade, a única que trabalha com um calendário para implantação da tevê digital é a TV Curitiba, afiliada da Rede Bandeirantes. O gerente de Engenharia da empresa, Daniel Taborda dos Santos, diz que espera iniciar a transmissão seis meses após a RPC.

O investimento estimado pela TV Curitiba para migrar a infra-estrutura é de R$ 5 milhões. Segundo Taborda, R$ 1,5 milhão está reservado para substituir o transmissor analógico por outro do mesmo tipo. O atual esgotou a vida útil, e as emissoras são obrigadas a emitir o sinal analógico por pelo menos mais oito anos.

Obrigatoriedade começa dentro de dois anos

Em dois anos, todas as emissoras de TV do país terão de transmitir sinal em HDTV. É o prazo estabelecido no decreto do presidente Lula para migração completa das emissoras para o novo sistema.

Até 2016, elas estão obrigadas a manter a transmissão do sinal analógico simultaneamente ao digital. É o tempo de garantia de acesso a um sinal de tevê de milhões de brasileiros que vão demorar para comprar o televisor adequado ou o conversor (o set-top box) do sinal digital.

Por enquanto, a procura pelos equipamentos ainda é pequena, o que tem frustrado a expectativa da indústria. Fabricantes de equipamentos, dirigentes de emissoras e autoridades do governo dizem que entre as causas do pouco interesse do consumidor está a falta de campanhas esclarecedoras sobre HDTV nas tevês abertas.

Marcos digitais

A história da tevê digital no Brasil até hoje inclui mais solenidades do que transmissões. Abaixo, algumas datas-chave.

6 de junho de 2006 – Brasil e Japão assinam acordo em que o Brasil adota oficialmente o padrão japonês de televisão digital. Outros dois sistemas, europeu e americano, perderam a disputa.

2 de dezembro de 2007 – Em uma solenidade em São Paulo (foto), com a presença de ministros e de representantes das redes de tevê, o presidente Lula discursa anunciando o início oficial das transmissões digitais na cidade. A maioria dos paulistanos – mesmo dos que tinham equipamento para ver o sinal em qualidade digital – viram tudo pelo sistema antigo, analógico.

25 de janeiro de 2008 – O governo federal autoriza o uso de freqüências de tevê digital para emissoras no Rio de Janeiro.

1º de abril de 2008 – Em Brasília, a TV Justiça começa a transmitir com qualidade digital.

25 de abril de 2008 – Início oficial das transmissões digitais em Belo Horizonte, por parte da afiliada local da Rede Globo. O ministro das Comunicações, o mineiro Hélio Costa, organiza a solenidade.

Fórum foi criado para dirimir conflitos e dúvidas

A inovação provocada pelo sinal digital de alta resolução levou emissoras, fabricantes de equipamentos e governo a criar um fórum de debates para intermediar conflitos e desatar os nós que se sucedem desde as primeiras negociações para opção do padrão japonês. O Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre é o órgão que deve assumir a responsabilidade de dar um pouco luz a consumidores e técnicos num mercado contaminado pela confusão. A complexidade do assunto pode ser medida pelo tamanho do texto do decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que homologou a TV de alta definição no Brasil. É um catatau de 600 páginas.

Representantes defendem urgência de uma campanha massiva em todas as mídias, para acabar com a incerteza e a indefinição sobre o sistema. Mas a ONG não tem poder de impedir que as tevês a cabo ou algumas abertas antecipem a propaganda sobre um sinal que ainda não chega ao consumidor.

É nessas reuniões onde ocorrem os maiores debates, em razão das divergências de interesse na briga pelo novo mercado. A Globo, por exemplo, defendeu bloqueio do conteúdo para gravação, a fim de dificultar a pirataria. O governo venceu a queda-de-braço com o argumento de que o crime se combate com as leis específicas.

Assessores do ministro das Comunicações, Hélio Costa, recomendam à imprensa buscar informações do fórum. Eles querem evitar a repetição da saia justa gerada por declaração de Costa, recomendando ao consumidor esperar a queda do preço dos conversores, que considera caros demais. De olho no movimento de migração para a nova tecnologia, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) considera que o sistema um ganho para o consumidor, mas diz que o sucesso da transição depende do respeito ao interesse público e à legislação que o protege. O Idec ainda não recebeu queixas de consumidores das “áreas de sombra” de São Paulo, que não estão recebendo o sinal. Segundo a advogada, o fabricante é obrigado a trocar o conversor ou reembolsar o consumidor, e o vendedor alertá-lo dos riscos.


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