Sobram conversores, faltam compradores
28/04/2008
Mari Tortato - Gazeta do Povo
Falta de entusiasmo dos consumidores paulistanos faz com que as vendas de set-top boxes não decolem. Mas a expectativa de crescimento persiste
A Positivo Informática deu uma pausa na produção de conversores da marca até que o mercado aqueça as vendas de equipamentos de tevê digital. A empresa avalia que o consumidor de São Paulo – única cidade onde a tecnologia está em fase comercial – não se animou para adquirir o set-top box. “Contratamos um lote inicial para atender o mercado e percebemos que a demanda não foi aquela estimada. Então não fizemos o segundo pedido”, explica o diretor de Conectividade da empresa, Erlei Guimarães.
Ele diz que o primeiro lote contratado é suficiente para a demanda do momento. Isso não significa a paralisação da produção, nem que a empresa paranaense se arrependeu de disputar o mercado de set-top box, a caixinha conversora do sinal analógico para o digital que todo telespectador precisa instalar na saída de seu televisor para receber imagens ao menos da qualidade do DVD.
“A lentidão é uma contingência. O interesse da população pela TV digital não se deu na velocidade que se esperava, mas a Positivo continua acreditando firmemente neste novo mercado”, diz. Guimarães acrescenta que a empresa vai manter o foco dirigido ao consumidor de classe C, o mesmo a quem destina suas linhas de computadores. A empresa é dona do set-top box de preço mais baixo do mercado, mas terceirizou a montagem do aparelho na planta da gaúcha Teikon, na Zona Franca de Manaus.
Em entrevista à Gazeta, na semana passada, o presidente da empresa, Hélio Rotenberg, deu a entender que a Positivo vendeu até agora 12 mil unidades do seu DigiTV. A empresa não revela quantos aparelhos montou no primeiro lote. Afirma, porém, que é líder em vendas do equipamento no mercado (ainda restrito a São Paulo).
O sinal é irradiado para 100% da cidade, mas há problemas de recepção nas chamadas áreas de sombra. Para o diretor de Conectividade da Positivo, a correção do problema vai exigir outras ferramentas. “O lançamento da TV digital em São Paulo está sendo um grande aprendizado, até para o fabricante”, avalia.
Atualização
A Positivo produz dois modelos de conversor para tevê digital. O mais barato pode ser comprado nos sites de vendas pela internet por R$ 499. Destinado à decodificação do sinal digital nas tevês analógicas, é capaz de eliminar chuviscos e fantasmas e elevar a imagem à qualidade do DVD, segundo Guimarães. “O sinal é compatível ao da tevê por assinatura, com a vantagem de ser gratuito.”
O segundo modelo – montado para trafegar o sinal de alta definição e vendido a R$ 700 –, recebe críticas de técnicos que o testaram. Guimarães confirma que o equipamento não atingiu qualidade máxima. O equipamento foi certificação pelo Instituto Makenzie e vai passar por constante atualização. Guimarães diz que atualização será comum a todos os fabricantes. “Não há milagres”, observa.
Marcas internacionais famosas como Semp Toshiba e Philips concorrem nesse mercado. Os top-set box mais caros custam cerca de R$ 1.300. O site de vendas da Fast Shop oferta conversor da Philips mais a antena UHF por R$ 1.099.