Sistema Brasileiro de TV Digital
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Em 2010, três milhões de celulares com TV Digital
23/05/2008
Bruno De Vizia - TeleSíntese
Em 2010 o Brasil deverá ter entre 2 milhões e 3 milhões de aparelhos celulares com capacidade de recepção de TV Digital. Se considerados os conversores fixos de sinal do SBTVD (Sistema Brasileiro de Televisão Digital), haverá entre 12 milhões a 14 milhões de aparelhos para recepção de TV Ditigital no país, prevê Rafael Peressinoto, engenheiro de computação da EiTV, empresa que desenvolve plataformas no segmento de TV digital.

Ele aposta que as vendas de celulares com capacidade para receber TV Digital crescerão à medida que fatores como preço e oferta ficarem mais acessíveis. “O celular com TV Digital vai pergar por causa da convergência. As televisões ainda não estão produzindo bastante conteúdos para divulgar a TV Digital, e para aumentar as vendas de conversores, mas isso vai mudar com o tempo”, destaca o execuvito. A mobilidade e a alta afinidade do espectador brasileiro com a TV aberta também são fatores que ele destaca como estímulo à tecnologia.

Outro motivo apontado como reforço à propagação da TV Digital nos celulares é a alta taxa de troca dos aparelhos no país. “No Brasil troca-se de celular, em média, a cada doze meses, o que é uma taxa bem alta, se comparada ao outros países. Somado a isso há outros dois fatores de impulso: a terceira geração (3G) que começou agora, e o fato dos brasileiros adotarem rapidamente novas tecnologias”, avalia Peressinoto.

No entanto, fatores como oferta de aparelhos e preço ainda são restritivos, indica o executivo. “Não conseguiremos escala se não tivermos maior oferta de modelos e preços mais acessíveis. Hoje só há dois modelos com esta capacidade, e ambos custam cerca de R$ 1,5 mil, dependendo do plano e do subsídio”, ressalta o engenheiro. Como prova do potencial da tecnologia ele cita o caso do Japão, país no qual, de 92 milhões de aparelhos, o celular com TV já atinge 20 milhões deste total, o que representa mais de 20% de participação no mercado.

Outro fator apontado por Peressinoto como entrave à popularização é o modelo de negócios da TV Digital, que “não favorece diretamente as operadoras de telefonia celular, pois o sinal é aberto”. Ele acredita que esse modelo só mudará “quando houver interatividade no aparelho móvel, pois a interatividade implica retorno pela rede da operadora, seja GPRS, seja EDGE. Isso vai consumir banda, que remuneram a operadora”. Mas esta remuneração só será efetiva “quando Ginga for uma realidade, até o momento não vimos nem protótipo de middleware para celular no mercado”, conclui.