TV digital: especialistas querem democratizar as tecnologias digitais
18/07/2008
Débora Pinheiro - Assessoria de Imprensa MCT
Sem se ater aos aspectos técnicos da tecnologia digital, os palestrantes que falaram sobre tecnologia digital na tarde de ontem (17) ressaltaram a importância da democratrização da informação e o potencial de inovação do Brasil. O simpósio “Mídias Digitais de Massa: Regulação, Tecnologias e Democracia” trouxe à 60ª Reunião da SBPC, em Campinas (SP), três especialistas que ressaltaram a importância de conciliar conhecimento técnico com participação cidadã para democratizar as tecnologias digitais, em particular na implementação da TV digital.
“É preciso que a sociedade, inclusive os pesquisadores, participe do debate sobre o modelo regulatório do setor das telecomunicações”, destaca o engenheiro elétrico Ara Apkar Minassian, superintendente de serviços de comunicação de massa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Lembrando que o desejo da sociedade da informação é ter acesso à informação a qualquer tempo e em qualquer lugar, independente da rede de serviço, Minassian considera que, na atualização do marco regulatório nacional, será preciso considerar que as redes de radiodifusão, internet, telefonia e TV a cabo passem a convergir cada vez mais, usando a mesma tecnologia para oferecer diversos serviços. “As Comissões Brasileiras de Comunicação, abertas à participação de todos, são uma oportunidade para que sociedade tenha acesso ao que é discutido em fóruns internacionais e possa influir nas decisões nacionais”, sugere.
Também para o engenheiro elétrico Sérgio Bampi, professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a comunidade científica precisa colaborar mais para que a televisão digital no Brasil se torne um instrumento de inclusão social e democratização, fazendo a nova tecnologia impulsionar a pesquisa e a indústria nacional, especialmente no setor da microeletrônica.
O cientista considera que a TV digital é, ao mesmo tempo, uma oportunidade única de inclusão digital e capacitação tecnológica para o País. Entre os exemplos mais animadores, Bampi cita o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), uma fábrica de circuitos integrados para prototipagem e produção de pequenos lotes, que também oferece soluções em microeletrônica digital, analógica e mista.
Ele elogia também o middleware do Sistema Brasileiro de Tv Digital Terrestre (SBTVD), o Ginga. “Trata-se de uma solução inovadora para programação interativa. A difusão internacional do Ginga em fóruns de normalização é um objetivo estratégico importante para o Brasil, por que pode resultar em futuras parcerias e novos negócios”, prevê.
Para o engenheiro elétrico Marcelo Zuffo, professor do departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), a TV digital significa um avanço tecnológico sem precedentes, que atualizou no País o casamento entre ciência e tecnologia. “A dinâmica da TV digital fez a comunidade científica despertar de um sono profundo. O Brasil superou a tecnologia japonesa. Tivemos a grata surpresa de ver o Japão pedindo a isenção de royalties pela tecnologia que os brasileiros desenvolveram para chegar ao Ginga”, comemora.
Zuffo antevê mudanças importantes no modelo tecnológico, inclusive com o aumento do espectro eletromagnético, ampliando a possibilidade de canais e tornando a TV cada vez mais interativa e móvel. "Esse novo modelo tecnológico merece a reflexão da sociedade para pensarmos juntos a elaboração de um novo marco regulatório, e o papel da comunidade científica é fundamental”.
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