Já temos TV Digital em Belo Horizonte ?
23/07/2008
Flávio Carvalho - Uai
Há quase um ano escrevi aqui um artigo sobre a TV digital, mas não enfatizei uma questão que se tornou importante: a cobertura, ou como as pessoas (em torno de 90% da população no Brasil) poderão receber TV digital em suas casas através da TV aberta e gratuita, mesmo com os seus receptores atuais, daqueles de tubo. Isto porque a TV digital ainda não “decolou” e os preços dos equipamentos (conversor e TV) continuam altos. A situação está “travada” porque os outros 10% da população que, em tese, têm mais poder aquisitivo para comprá-los, são justamente os que não são atraídos pela TV aberta, já que assistem TV paga. E, não havendo escala de produção, os preços não caem.
A novidade é que, no último dia 15, o Ministro das Comunicações, mais uma vez, anunciou em São Paulo o “conversor popular” (set-top-box), entre R$ 199 e R$ 299, a ser fabricado em Manaus. Este evento teve o mérito de reavivar o assunto, permitindo à mídia fornecer excelentes informações à população, como as dos diversos artigos da galeria Ciência e Tecnologia do Portal UAI.
Acompanhei desde o início os testes da TV digital em universidades, laboratórios, centros de pesquisas e, recentemente, em lojas. Mas o que conta mesmo é onde moramos e, por isto, fiz testes em minha própria casa, usando, propositadamente, TVs comuns. Estava meio cético porque, quando mudei para o meu bairro há mais de 15 anos, a recepção nos canais normais em VHF, de 2 à 13, já era inviável mesmo com antena externa, porque há um “morrão” na frente dos transmissores. Mesmo no bairro onde morava antes, a recepção piorava a cada dia pela construção de novos prédios. Isso me obrigou a aderir à TV a cabo, ainda que fique a maior parte do tempo na programação dos canais locais.
Aleluia ! Quando instalei o set-top-box com uma anteninha interna, ligado ao receptor antigo, um dos dois canais de TV digital (em UHF) que já estão no ar em Belo Horizonte “estourou”. O outro canal teve um nível de recepção um pouco abaixo do limiar de sinal, significando que, com uma antena externa, sem instalações mirabolantes, certamente seria viável também. Fiz os testes com TVs comuns (não era TV de alta definição - HD, hight definition) - que só seria possível no sistema digital, mas o fato é que a imagem ficou sensivelmente melhor, mesmo comparada à da TV a cabo.
No sistema analógico, não basta ter somente intensidade de sinal; é necessário que não ocorram imagens fantasmas intensas causadas pelas reflexões do sinal nas barreiras criadas pelas novas construções. Já a TV digital escolhe o melhor sinal e ignora os outros. Assim, se houver sinal suficiente, a imagem será estável, sem fantasmas e isenta de ruídos. Essa foi, portanto, a grande lição da experiência : imagens e sons “limpos” como eram em toda a Belo Horizonte décadas atrás.
Mas, infelizmente, não se escapa de ter uma antena (R$ 40 se for interna, um pouco mais se houver necessidade da externa) e um bom set-top-box, que hoje custa mais de R$ 700. Mas é vital certificar-se que eles já foram testados, independentes de marcas (no caso da antena interna, uma delas, de marca famosa e fabricada na China, não funcionou). O ideal é fazer o teste em sua casa antes de comprar equipamentos. Acredito que, mais dia, menos dia, alguém vai lhe propor isso, antes que tenha de “por a mão no bolso” sem a certeza de sucesso. Mas a chance de funcionar é grande, o que, em minha opinião, já vale a pena, principalmente se a recepção em VHF na sua casa estiver ruim ou piorando.
Se fizer os testes e resolver investir, compre o set-up box com saídas de vídeo composto, componentes de vídeo, HDMI e saídas de áudio estéreo, mesmo que ainda vá ficar algum tempo com a sua TV antiga. Isso porque, quando puder comprar a sua nova TV (HDMI), ela poderá funcionar no modo analógico nos outros canais abertos ainda não digitais (vídeo composto) ou em TV paga sem que você tenha de trocar conexões todo momento (o difícil é ficar livre dos diversos controles remotos).
Quando puder comprar uma nova TV, exija a full definition (definição plena), verificando no manual se é realmente 1.920 x 1.080 linhas (1.080i). A definição é também determinada pela quantidade de linhas de exploração visíveis da tela. As antigas tinham 480 linhas, numa tela de dimensões 4 x 3. Nas novas (LCD ou Plasma), a proporção do tamanho da tela é 16 x 9, mais largas, porque se chegou à conclusão que são mais compatíveis com o campo da visão humana. Ocorre que há televisores mais baratos, mesmo com as 1.080 linhas, mas que não têm a resolução horizontal de 1.920 elementos de imagem. Neste caso, as imagens não terão definição plena e poderão ficar até distorcidas em certas situações.
Se você recebe sinais via TV paga, valem as mesmas regras para as TVs. Mas, neste caso, exija de sua operadora que o decodificador seja realmente digital e não um analógico “turbinado”.
Finalmente, mesmo que tome todos esses cuidados, escolha bons programas porque, senão, as novas tecnologias nada acrescentarão ao seu desenvolvimento pessoal !