TV e computador tornam-se um só
01/09/2008
Lucas Pretti - Link Estadão
Feira ainda apresentou nova tendência para TVs em LCD
Pense bem. Por mais que chegue a mais e mais gente e revolucione a comunicação na vida das pessoas, é difícil que um computador destitua a TV da estante da sala. A indústria de eletrônicos sabe bem disso e está trazendo o centro das discussões sobre estilo de vida digital para a televisão. Na IFA 2008, tudo se conecta à telona – e a telona está conectada ao mundo.
Os principais lançamentos da Panasonic, Sony, Toshiba, Philips, Sharp e LG estiveram de alguma forma ligado à vontade de prover a TV de conexão com a internet, cada empresa a seu modo. Há desde processadores internos até conexão wireless com outros dispositivos e pacotes para assistir, na TV, streaming via internet.
A principal novidade veio do Japão. Com sotaque típico e um inglês mal ajambrado, os diretores da Panasonic anunciaram para centenas de jornalistas em Berlim a Viera Cast, televisor que não apenas capta sinal digital como se conecta à internet por cabo ou sem fio. Um software interno permite navegar na web pelo controle remoto e executar vídeos do YouTube ou fotos do Picasa em tela cheia.
Chega-se então a uma discussão conceitual. O que é a Panasonic Viera Cast se não um Media PC, aqueles computadores voltados ao entretenimento, que podem inclusive ser ligados na TV? Com o esforço da indústria em colocar a TV no centro dos debates, cria-se um novo tipo de produto híbrido entre computador e televisor, crise parecida à vivida pelos smartphones, MIDs, etc.
A Sony claramente já encara suas TVs como computadores. O modelo Bravia EX1, lançado em Berlim na semana passada, vem com um disco rígido (HD) externo conectado sem fio à TV e com saída HDMI de alta definição. É possível enviar conteúdo ao HD a uma distância de 30 metros. Mas a EX1 ainda não fala com a internet.
Pensando em entretenimento, um home-theater se destacou entre os acessórios para TV mostrados na IFA. O CinemaOne, desenvolvido pela Philips, une em um acessório vários canais de som e permite que se tenha qualidade de áudio sem necessidade de distribuir caixas pela sala. A tecnologia é chamada pela empresa de Ambisound.
O CinemaOne não apenas soluciona problemas de espaço como também está na lógica do “todo poder à televisão”. Ele tem dock para iPod, toca todos os tipos de CD e DVD (menos Blu-ray) e tem entradas USB, para celulares e MP3 players – e até computadores. Cabe tudo isso na estante da sala?
BRIGA ANTIGA
Os lançamentos da IFA 2008, na semana passada, inauguraram uma nova batalha na antiga guerra das telas de TV: o que é melhor, plasma ou LCD? Philips e Sharp apostam no segundo e mostraram a “nova geração” do LCD. A Panasonic fez exatamente o contrário. Pronto, confusão para a cabeça do consumidor.
As novidades do LCD parecem mais convincentes. A tecnologia LED Backlight, desenvolvida pela Philips, termina com o problema de contraste visto em televisores muito grandes, maiores de 37 polegadas. As TV é dividida em pontos como se fossem pixels, que entendem as emissões de luz individualmente. Antes, as telas tinham linhas horizontais que misturavam áreas pretas e brancas da imagens – e acabavam deixando os pretos um pouco cinzas.
Como estratégia, a Philips lançou só uma TV com essa tecnologia, a LED Backlight LCD, que chega ao Brasil no ano que vem. Ela não sabia que a Sharp se basearia na mesma tecnologia para apresentar sua nova linha de TVs, a Aquos. A aposta do LCD, definitivamente, é o contraste “total”.
Do lado do plasma, a Panasonic aprimorou a tecnologia NeoPDP, apresentada em janeiro na feira Consumer Eletronics Show (CES), em Las Vegas. Além de melhorar a luminosidade e também gerar contrastes perfeitos, o consumo de energia é menor, o que pode criar um apelo mais politicamente correto. O LED Backlight também consome menos, mas nem tanto.
“Com essas TVs, o LCD começa a ser plasma”, afirmou ao Link o diretor de marketing da Philips na Europa, Danny Tack. Ao mesmo tempo que admite a carência tecnológica, provoca a concorrente. A Philips colocou uma TV Panasonic na demonstração a jornalistas como exemplo superado, no melhor estilo da luta vivida há quatro anos por duas conhecidas marcas de cerveja brasileiras.
No fundo, as TVs são muito parecidas e o consumidor final pouco teria sua “experiência de imersão” modificada. Mas, numa feira em que até os orelhões podem mandar e-mails e mensagens para celulares, um detalhe como esse pode causar a próxima guerra mundial.