Sistema Brasileiro de TV Digital
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À espera da "T-life"
02/10/2008
Haline Mayra - Reseller Web
Empresas arregaçam as mangas para se antecipar à corrida da TV Digital e da prometida bomba de interatividade que ela trará em breve

Depois do celular e da internet, está chegando a hora em que a televisão vai mostrar seu potencial em termos de conexão com o mundo externo, a exemplo dos dois similares.

Já há quase um ano em vigor, a TV Digital ainda engatinha em busca de sua identidade no mercado brasileiro e, mais ainda, à procura de empresas que apostem em sua fortuna escondida. Há quem já acredita nela e não entende como as empresas, em especial de software, ainda não despertaram para ela.

"O maior gargalo não está no desenvolvimento das soluções em si, mas na ausência de um grupo consistente de empresas apostando nesse novo formato de relacionamento", aponta Salustiano Fagundes, diretor-presidente da HXD - desenvolvedora de software -, e representante da área de software no Fórum TV Digital.

Segundo suas contas, existe um oceano de nichos grandes e pequenos em que os desenvolvedores podem imergir para diversificar seu portfólio. As principais, claro, são as soluções de t-commerce, t-access, t-banking e tantos outros "T"s".

Ele lembra que, até hoje, existem apenas duas fornecedoras do middleware (Ginga) no Brasil - a TQTVD e a Mopa - e outras 13 desenvolvedoras de software ligadas ao Fórum TV Digital, entidade que congrega os players do setor e tem apoio do governo. "Isso é muito pouco. Quando uma tecnologia nova aparece, é preciso um volume de concorrentes, para que se desenvolva um ecossistema e as pessoas comecem a prestar atenção nisso", salienta.

Quem já está no jogo

Para se adiantar ao prazo supersticioso de que a TV Digital decolará em 2010, a HXD, há algum tempo, se prepara para chegar à frente. "Já estamos em contato com diversos clientes, para começar a desenhar as idéias", conta Fagundes. Uma dessas conversas é com a Caixa Econômica Federal, com quem a HXD já esboça aplicações para simulação de crédito para financiamento da casa própria, consulta ao saldo do FGTS (Fundo de Garantia sobre Tempo de Serviço) e resultados de loterias, entre outras.

Sem temer a incipiência do setor, a HXD nasceu como um departamento de TV Digital dentro da Hirix (desenvolvedora e fábrica de software), em 2005, cujo objetivo era estudar e entender os conceitos do novo nicho. Agora, no final de 2007, a empresa ganhou sua independência e está totalmente focada em soluções para TV Digital. "Enquanto os conversores com middleware não chegam ao mercado, prestamos alguns serviços de consultoria pela HXD, para empresas que já são clientes. Tentamos levar as possibilidades da TV digital, para mostrarmos um novo universo às empresas. Quem quer fazer parte desse novo mundo, tem de se apressar", afirma Fagundes.

Formando a massa crítica

Fruto da união entre a Quality Software - 19 anos de software para celular - e do grupo Totvs, a TQTVD, cuja prioridade são os negócios com middleware e também os aplicativos, também abriu suas portas para chamar a atenção de especialistas em software.

A empresa criou, no mês passado, uma teia de parceiros para estimular a criação de ferramentas de interatividade. Braz Izaias da Silva Junior, diretor de vendas e alianças da empresa, conta que o AstroDevNet, nasceu da habilidade da companhia de autoração, ou seja, de desenvolver programas para auxiliar na criação de aplicativos.

A rede já tem em alvo mais de 30 empresas e está prestes a dar início aos treinamentos. "Poderíamos chegar a 500 parceiros até o fim do ano, mas pensamos em algo mais restrito para fazermos um trabalho de qualidade. Algo em torno de 20 a 30 aliados é o ideal, para começar. É muito importante perceber que cada paceiro vai ser líder em TV Digital para algum setor. Há empresas focadas em banco, áreas de saúde, automotiva, imobiliária etc", reforça o especialista.

Barreira cultural

Para Silva Junior, também é preciso que o usuário compreenda o seu papel na era da TV Digital. "Falamos, aqui, do encontro de três culturas: tecnologia da informação, telecomunicações e televisão. Os mundos estão se juntando e gerando um novo conceito. O usuário precisa, aos poucos, enxergar que tudo que se faz, hoje, com computador e telefone, pode ser feito pela TV. Um grupo de pessoas que gosta de ver jogos juntos, por exemplo, vai poder se conectar virtualmente", exemplifica.

Barreira burocrática

Junto com outros integrantes do Fórum, Fagundes, da HXD, defende a liberação de uma versão 1.0 do Ginga, cuja versão Java ainda vive questionamento quanto ao pagamento de royalties. A outra versão, a NCL (Nested Context Language), desenvolvida pela PUC-RJ, já está pronta, porém, ainda não está em uso no mercado. "Nossa defesa técnica é que seja aprovada essa versão inicial e, depois, incorporamos o resultado do que tem sido feito com Java". Os executivos ligados ao Fórum se reúnem a cada duas semanas, para cumprir a agenda de tarefas.

Além do Brasil

Outro ponto sublinhado por Fagundes no estímulo aos desenvolvedores brasileiros é a recente adoção do padrão japonês - escolhido do Brasil - pela Argentina. "É mais um alvo que temos de olhar, porque podemos não somente exportar inteligência para lá, como cativar parceiros argentinos - e futuramente de outras nacionalidades - para projetos diversos".

Ele informa que em locais tradicionalmente menos arraigados à televisão, na Europa, já estão tendo sucesso nas empreitadas da interatividade com a TV. Vale lembrar que, no Brasil, quase 190 milhões possuem pelo menos um aparelho televisor. "Há países da Europa, onde existem empresas de middleware faturando mais de 150 milhões de Euros, em franco crescimento".

"Imagine o potencial que temos no Brasil, ainda mais com a proximidade da Copa do Mundo 2010, cuja transmissão em alta definição deve dar o impulso final a esse novo meio de conexão com o mundo digital?".