Sistema Brasileño de TV Digital
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Especialista em TV digital concede entrevista ao Portal Amazônia
17/10/2008
Portal Amazônia
MANAUS - O pesquisador amazonense Fábio Santos da Silva é especialista em televisão digital. Doutorando em Engenharia Elétrica pela USP, Mestre em informática pela Ufam e professor da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) no curso de Tecnologia em Processamento de Dados, Santos é também pesquisador do Laboratório LARC da USP e fundador da empresa de consultoria em TV Digital, IDTVsoft.

Para falar sobre TV digital, Fábio concedeu ao Portal Amazônia a seguinte entrevista:

Portal Amazônia: O senhor foi citado como um dos maiores pesquisadores do mundo em TV digital. Qual é sua experiência no tema?

Fábio Santos: Tive a oportunidade de participar dos estudos de sistemas de televisão digital internacionais com o objetivo de implementar a tecnologia no Brasil. Atualmente desenvolvo soluções de interatividade para serviços convergentes envolvendo TV digital, WEB e mobile. Como pesquisador da USP, realizei estudos com o objetivo de desenvolver serviços inovadores para o mundo convergente.

Portal Amazônia: E como aconteceu esse reconhecimento internacional?

Fábio Santos: Trabalho com TV digital desde 2001, época do Mestrado. Publiquei vários artigos técnicos e científicos em eventos nacionais e internacionais relacionados à TV digital. Isso contribuiu para um reconhecimento internacional por meio de um estudo que foi realizado pela Academia Internacional de Gerenciamento de Mídia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. O estudo teve o objetivo de identificar os mais importantes especialistas em tv digital do mundo e meu nome foi citado.

Portal Amazônia: Quando a TV digital no Brasil estiver plenamente implementada, o que deve mudar para o usuário?

Fábio Santos: O usuário terá acesso a uma qualidade superior de imagem e som. Além disso, por meio das aplicações interativas, poderá ter acesso a um grande número de serviços, tais como: comércio eletrônico, banco eletrônico, ensino à distância, jogos, entre outros. A TV digital vai viabilizar também a inclusão digital, pois segundo dados do IBGE, 90% dos lares brasileiros tem televisão, mas uma grande parcela não possui computadores. Então, por que não utilizá-la como um meio de acesso a serviços interativos? Isso poderá ajudar muito na educação, no que diz respeito ao ensino à distância.

Portal Amazônia: O Brasil escolheu o sistema digital japonês. Na sua opinião, essa decisão foi correta?

Fábio Santos: Acredito que sim. O sistema japonês é o que oferece tecnologias de última geração e que são adequadas a realidade brasileira. É preciso salientar, no entanto, que o sistema brasileiro de TV digital vai além do sistema japonês porque agregou novas tecnologias, como um padrão de codificação de vídeo e áudio superior e com uma plataforma de software que viabiliza a interatividade na TV digital. Essas são algumas das principais inovações do sistema brasileiro, o que o torna um dos mais modernos do mundo.

Portal Amazônica: As condições geográficas da Amazônia dificultam a implementação da TV digital?

Fábio Santos: Sim, é um problema. Um dos grandes atrativos da TV digital é a interatividade, a possibilidade do usuário interagir com a programação. E essa interação depende de um canal de comunicação denominado de canal de retorno que permite a comunicação entre o telespectador com a operadora de televisão. A região amazônica é ainda carente de infra-estrutura de comunicação adequada que possa ser utilizada como canal de retorno.

Portal Amazônia: Como esse problema poderia ser resolvido?

Fábio Santos: A realidade de nossa região é bem diferente de outras regiões do País e isso implica na realização de estudos com o objetivo de identificar meios adequados a nossa realidade. É preciso que haja parcerias entre a iniciativa privada e governo federal para resolver. Contamos ainda com problemas de acesso a internet banda larga na região e a internet é um dos canais de retorno que pode ser usado na interatividade da TV digital. Com o problema de banda na região, essa interação pode ser prejudicada, pois a lentidão na rede causaria uma demora no retorno na comunicação do telespectador com a emissora.

Portal Amazônia: Além da internet, existiriam outros canais de retorno?

Fábio Santos: Sim, existiriam outros canais, mas a região amazônica, como já disse, é carente de infra-estrutura nesse sentido. A internet é uma tecnologia que viabiliza a transmissão de dados,mas depende de uma infra-estrutura de comunicação como a utilização de fibra ótica, dentre outras.

Portal Amazônia: O Brasil como um todo está preparado para receber a TV digital?

Fábio Santos: O processo de implantação da TV digital no Brasil será gradativo. Oficialmente a TV digital já foi lançada em alguns estados da região Sudeste. Na Amazônia, já temos o canal Amazon Sat realizando testes nesse sentido. Essa estratégia de implantação fará com que o Brasil possa se preparar para receber a TV digital. Gradativamente isso vai se expandindo. Será o tempo necessário para que as emissoras atualizem seus parques tecnológicos para se adequarem ao novo meio.

Portal Amazônia: Além da interatividade, qual seria outro atrativo da TV digital?

Fábio Santos: A interatividade ocupa um papel muito importante porque possibilita que usuário participe ativamente da programação, mas outro fator seria a possibilidade de acesso ao conteúdo por meio de dispositivos móveis,o que também é um grande atrativo.

Portal Amazônia: Com tantas inovações, a programação das emissoras passará por mudanças?

Fábio Santos: Sim. Creio que novos formatos de programa deverão ser elaborados de tal forma que possam explorar os novos recursos oferecidos pela televisão digital. É preciso atrair a atenção do telespectador que está cada vez mais habituado a um padrão de comportamento que nasceu com a internet. Esse padrão de comportamento, de desejar a interação, é uma conseqüencia da popularização da internet. Os programas vão ter que se adequar a esse novo cenário.

Portal Amazônia: Como seriam esses programas de televisão?

Fábio Santos: Na minha opinião, vão prevalescer os programas que ofereçam maior recursos de interatividade. Esses alcançarão e conquistarão maior audiência. É um tipo de serviço que deve atrair a atenção dos telespectadores que hoje estão afastados. Como exemplo, podemos imaginar uma aplicação interativa que está associada a um jornal. Essa aplicação pode permitir que os usuários interajam com os repórteres que deram a notícia, poderão participar de enquetes a respeito de temas polêmicos, trocar idéias com os amigos a respeito de informações veiculadas na televisão. Como podemos observar, o número de possibilidades é gigantesco.

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