TV Digital: em jogo, o futuro do Ginga
23/03/2009
Cristina de Luca - Convergência Digital
Está previsto para hoje o início da fase de definições do Fórum SBTVD para a exploração da interatividade na TV Digital aberta. Em jogo, muitos interesses comerciais em torno do middleware Ginga.
A especificação da parte declarativa do Ginga (o Ginga-NCL) está pronta e em condições de, não só ser embarcada nos conversores, televisores e celulares, como para desenvolvimento de diversos tipos de aplicações interativas.
A especificação da parte procedural (a Ginga-J), vive a disputa entre o módulo GEM e o módulo Java-DTV. Em torno dela, perguntas a serem respondidas:
1 - Até que ponto a definição pelo Java-DTV, desenvolvido a partir de recente especificação entregue pela SUN, e portanto livre de patentes submarinas, maximiza ganhos com tecnologia nacional e minimiza dependências estrangeiras e pagamentos de royalties?
2 - O quanto o país ganha em autonomia nesse padrão.
3 - O quanto o pagamento dos royalties e das prováveis patentes submarinas do GEM inviabilizam a sua escolha?
4 - A adoção do GEM é realmente garantia de interoperabilidade? De compatibilidade com os sistemas internacionais, possibilitando o uso aqui de aplicativos criados fora e/ou a exportação de aplicações criadas aqui?
A partir de hoje, os módulos Técnico, de Mercado e de Propriedade Intelectual apresentarão ao Conselho Deliberativo do Fórum SBTVD suas análises. A indefinição quanto ao domínio tecnológico do JavaDTV e o pagamento de royalties do GEM são limitantes, sim, que precisam ser avaliados com cuidado. Mas não são os únicos.
A sorte está lançada, portanto. E o consenso será muito difícil.
A academia está rachada. Há quem defenda a tese de que o Ginga-J não é essencial para a interatividade. A parte declarativa NCL/Lua dá conta do recado. Há também votos declarados à adoção do GEM, por parte de pesauisadores da Universidade Federal da Paraíba, envolvidos com outros projetos internacionais que fazem uso do padrão. E há ainda os que defendam o Java-DTV, como chance única do Brasil, dono de uma das maiores comunidades de desenvolvedores Java do mundo, estar na dianteira da evolução tecnológica não só da interatividade da TV Digital aberta, mas também da IPTV.
No segmento de radiodifusão, acontece o mesmo. A Rede Globo, por exemplo, é uma das que não admite a interatividade sem o módulo Java, embora todas as aplicações interativas já colocadas em teste por ela tenham sido escritas usando somente o módulo declarativo, em NCL/Lua. E Há outras emissoras bastante satisfetias com essas aplicações declarativas apenas.
Entre a indústria de conversores e receptores há predileção pelo GEM. Mas, mais do que isso, há o claro interesse de alongar o máximo as discussões. Há muito produto pronto para chegar o mercado, antes daqueles que passarão a incorporar todos os recursos necessários à interatividade.
A expectativa é a de que a decisão leve mais um mês, no mínimo, já que os conselheiros podem pedir um tempo maior para análise das conclusões apresentadas pelos módulos de trabalho.
Mas dificilmente se alongará mais, já que o próprio presidente do Fórum SBTVD, Frederico Nogueira, está disposto a evitar atrasos. "Não vou enrolar com esse assunto. Vou botar para votar. Em abril a gente fecha o assunto interatividade, seja para o bem, seja para o mal, por unanimidade ou não", disse em entrevista concedida em Janeiro ao Convergência Digital.
Se conseguirá, só o tempo dirá.
No ar, o Ginga-NCL 0.10.1
...a mais nova versão da implementação de referência do Ginga-NCL . Já disponível para download no Portal do Software Público.
Diz a PUC-Rio que além de oferecer novas funcionalidades e uma nova arquitetura, baseada em componentes de software, essa implementação é mais estável que as anteriores.
Entre as principais novidades estão:
- Código baseado em Componentes de Software, com a possibilidade de carregamento dinâmico dos módulos necessários para a apresentação de cada aplicação NCL, conforme a demanda. E a manutenção do middleware por meio de atualizações em tempo de operação;
- Gerência de Contexto, para que perfis de usuários possam ser criados e modificados, conforme suas preferências de exibição, localização, dispositivos, etc. Significa que essas preferências podem ser acessadas por aplicações NCL e NCLua por meio das variáveis globais NCL, para personalização e adaptação ao contexto;
- Nova camada de abstração de hardware no Ginga Common Core (gingacc-system), para facilitar ainda mais o porte entre plataformas;
- Apresentação de aplicações NCL remotas (http://...), por download;
- Maior aderência a Norma ABNT (NCL e NCLua);
- Maior estabilidade do player XHTML (links);
- Implementação Ginga pronta para acomodar outros subsistemas que não somente o Ginga-NCL;
- Diversas outras melhorias, que podem ser encontradas nos arquivos Changelog de cada componente
Usuários do Ginga Live CD 1.0 já contam com todas essas facilidades, já que possuem o Ginga-NCL 0.10.1 ali embutido. Usuários do Ginga Virtual Set-top Box devem aguardar um novo release, previsto para breve.
Desenvolvedores do middleware devem atualizar seu código para Rev. 21. O Wiki de Compilação e instalação também já está atualizado, em http://svn.softwarepublico.gov.br/trac/ginga/wiki/Building_Wiki_GingaNCL
Traducir con herramientas externas
espanhol - http://www.universia.com.br
inglês - http://www.google.com