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TV Digital: por que indústria e governo divergem sobre preço dos receptores
14/09/2007
Luiza Dalmazo - Computerworld
Set up box a que governo se refere usa tecnologia que só atende a telas pequenas. Em televisores com mais de 19 polegadas, imagem exibida perderá riqueza de detalhes.

Por que o governo fala em receptores de 200 reais e a indústria em set up box de 800 reais? Ao que parece, os dois se referem a produtos diferentes e também a níveis de recursos distintos.

O anúncio do ministro Hélio Costa sobre o valor veio logo após a indiana Incor, que tem uma parceria com a RF Telavo, apresentar um equipamento com o software de interatividade (Ginga) e outros recursos, dizendo que custaria 200 reais. “Quando vimos o aparelho com todas essas características, tivemos certeza de que é possível chegar a esse preço e nos pareceu estranho que outros fabricantes tenham falado em 800 reais”, lembra Marcelo Bechara, consultor jurídico do ministério das Comunicações.

A diferença entre o receptor apresentado ao governo, de 200 reais, e o que a indústria defende que vale 800 reais são as especificações técnicas. “Eu não sei exatamente que tecnologia tem ali dentro, mas sei que eu vi funcionando e que eles nos garantiram aquele preço”, diz Bechara.

Uma influente fonte envolvida com as definições da TV Digital, que prefere não se identificar, garante que esse produto apresentado ao governo utiliza o padrão one-seg, usado para transmissão de sinais em MPGE 4 (de compressão de imagens), indicado para equipamentos móveis.

O one-seg é ideal para telas pequenas, do tamanho de telefones celulares e handhelds, conforme explica o especialista de um centro de estudos. Se usada em televisores tradicionais, a imagem exibida será pobre e sem riqueza de detalhes.

“O problema é que em aparelhos de televisão de mais de 19 polegadas a imagem fica distorcida, porque são menos linhas do que existem nas telas grandes. Assim, os pixels (ou pontos) são ampliados e a imagem fica ruim”, explica o diretor de marketing da Tectoy, André Faure.

O diretor-executivo da RF Telavo, Jakson Sosa, prefere não comentar as espeficidades técnicas do produto apresentado ao governo, mas diz que a indústria e o poder público estão sim falando de produtos diferentes quando tratam de um sistema a 200 reais e outro a 800 reais. “É como uma geladeira. Tem aquelas básicas e existem as melhores, as frost free, as que oferecem água gelada por um canal na porta etc. Com os aparelhos receptores é a mesma coisa e quem não viu os testes e não está no Fórum não pode falar sobre as limitações técnicas”, garante.

O executivo da RF Telavo acredita que muitas afirmações são prematuras e que o governo deve saber do que está falando. Segundo ele, no próximo mês de outubro serão apresentados os modelos de referência e, em novembro, finalmente acabará o mistério sobre o preço dos receptores com as campanhas da indústria, que vai se preparar para que os aparelhos estejam nas prateleiras da cidade de São Paulo em dezembro.

Bechara, do Minicom, afirma que o governo acredita no aparelho que viu. “A maior parte da população tem tevê de até 19 polegadas e, portanto, será atendida com um set up box de valor mais baixo e vai inclusive dispor de recursos de interatividade”, garante. As pessoas no Brasil que têm televisores de LCD ou plasma com telas grandes que oferecem 1080 linhas, segundo o consultor jurídico, são as que podem pagar os 800 reais, que é por volta do que custa o receptor mais desenvolvido.

Fontes garantem, inclusive, que esse preço de 800 reais é irreal e que o custo do set up box ficará abaixo de 500 reais.