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TV digital viverá guerra de preços
08/10/2007
Maurício Moraes e Silva & Rodrigo Martins - Link Estadão
Grandes fabricantes ameaçam cobrar de R$ 700 a R$ 800 pelo conversor; pequenos prometem valor de R$ 300

Faltam menos de dois meses para o início das transmissões da TV digital na cidade de São Paulo. Mas a data de 2 de dezembro, quando o sistema irá oficialmente ao ar na capital paulista, marcará também o início de uma verdadeira guerra de preços entre os fabricantes dos "set-top boxes", conversores que vão permitir que qualquer aparelho - mesmo os mais antigos - receba o novo sinal e o transforme em som e imagem.

Grandes empresas como Semp Toshiba, Sony e Gradiente cogitam cobrar o equivalente a uma TV de 29 polegadas pela caixinha, que é pouco menor do que um aparelho de DVD. Na semana passada, a entidade que representa o setor, a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), divulgou o preço médio do receptor: R$ 700. Na ocasião, o presidente do órgão, Lourival Kiçula, disse que uma queda no valor deve demorar entre "5 e 6 anos".

Haverá pelo menos dois tipos de set-top boxes. O mais simples permitirá que qualquer aparelho capte o sinal digital e sintonize a imagem, com uma qualidade próxima à de um filme em DVD. Já o mais caro permitirá ver os programas em alta definição, com um nível de detalhe muito maior. "É difícil custar menos. Há impostos na importação das peças, custos de produção e de distribuição", justifica o vice-presidente da Gradiente, Moris Arditt.

Será mesmo? Fabricantes menos conhecidos, como STB e Encore, afirmaram ao Link que conseguem cobrar menos. "Vamos fabricar o receptor básico por R$ 300", prometeu o diretor industrial da STB, Flávio Brito. Segundo ele, o modelo com alta definição sairá por R$ 600.

Para efeito de comparação, a Semp Toshiba venderá o básico por R$ 700 e o de alta definição por "entre R$ 800 e R$ 1.000". Sony e Gradiente vão fazer só o de alta definição, por cerca de R$ 700.

Qual é a mágica da STB para o valor de R$ 300? "A escala", explicou Brito. "Estamos fechando a produção de 5 milhões de unidades em 2008. Os aparelhos de alta definição têm menor escala, pois são para TVs compatíveis, raras no País." Mesmo nesses casos o preço deve cair, segundo um representante do grupo indiano Encore, que não quis ser identificado. Com a ajuda de universidades, ele desenvolve componentes nacionais para substituir peças importadas. "Teremos receptores de alta definição a R$ 357 no ano que vem", anunciou. "Os gigantes terão de correr atrás."

Faz sentido. Entrevistado em junho pelo Link, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da TV digital brasileira, o professor Marcelo Zuffo, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, destacou que o custo dos componentes já diminuiu bastante. "O preço justo de um receptor hoje chega a R$ 300 ou menos." O governo quer que o valor fique em R$ 200. Uma fonte do Ministério das Comunicações afirmou que os grandes fabricantes prometem cobrar caro para barganhar isenções e financiamentos. Correm o risco de ver as caixinhas encalharem nas prateleiras.

Alta definição na novela

As transmissões em alta definição vão começar por um dos programas preferidos da família brasileira: a novela. Na semana passada, Globo e Bandeirantes estrearam dois novos folhetins no horário nobre - Duas Caras e Dance Dance Dance, respectivamente -, ambos gravados em widescreen (proporção de 16 por 9, como a tela de cinema) e com imagens captadas com nível de detalhamento inédito.

A Globo montou um grande evento em um shopping center de São Paulo para exibir o seu novo produto, no dia 1º. Já a novela da Band só pôde ser vista por quem compareceu a um fórum sobre TV digital em um outro shopping, no dia seguinte. Em ambos os casos, as emissoras ficaram devendo o som surround 5.1, que permite perceber, por exemplo, o local da cena em que um copo é quebrado.

A quantidade de detalhes que se pode ver impressiona. Até pintas pequenas e sardas no rosto dos atores e atrizes ficam evidentes. Mas o formato widescreen não acrescenta muita informação ao que já se assiste em uma novela, porque toda a ação ocorre no centro da tela. A nova proporção deve fazer uma baita diferença na transmissão de esportes, como futebol, vôlei e basquete.