Interatividade deixa conversor mais caro
28/11/2007
Camila Rodrigues - Folha de São Paulo
SEM GINGA Aparelhos oferecidos até agora não são compatíveis com programa de interatividade e podem ficar obsoletos
Os conversores para TV digital, que custarão até R$ 1.099, poderão ficar ainda mais caros quando forem compatíveis com o sistema Ginga, que será um dos responsáveis pela interatividade na TV digital. A opinião é do diretor de tecnologia da Philips, Walter Duran. "Para rodar o programa, tem que aumentar a capacidade de processamento e memória", afirma.
O executivo conta também que o preço tende a cair quando os produtos começarem a ser produzidos no Brasil. O primeiro lote da Philips foi importado da China.
O Ginga é o sistema que permitirá escolher por qual câmera assistir a um jogo de futebol, acessar informações sobre notícias e comprar produtos que apareçam em novelas.
Para cada televisão, será necessário um conversor, que está mais caro do que o inicialmente projetado. O governo estimava que cada unidade custaria cerca de R$ 250. Mas hoje o modelo mais barato, da Positivo, custa R$ 499 e serve apenas para TVs de resolução padrão. Para TVs de resolução maior, a mesma empresa está oferecendo um equipamento de R$ 699.
Nem na Santa Ifigênia, rua de São Paulo dedicada a lojas de eletroeletrônicos, o cenário é diferente: o modelo encontrado pela reportagem, da TeleSystem, custa R$ 950.
As empresas Gradiente, Philips, Semp Toshiba e Sony também anunciaram seus conversores, mas nenhum deles menor do que esse preço (ver abaixo); a CCE afirmou que irá lançar um modelo para TVs de 480 linhas no primeiro trimestre do ano que vem por R$ 499.
No site da Amazon, os conversores para TV digital custam cerca de US$ 100, mas não adianta comprar fora porque o padrão brasileiro não é compatível com outros do mundo.
Segmentação
Serão transmitidos três tipos de sinais digitais: em alta definição, em definição-padrão e portátil, que oferece uma imagem menor.
Inicialmente, haverá somente três tipos de conversor: para TVs de alta definição (a partir de 720 linhas), para TVs analógicas (480 linhas) e para dispositivos portáteis. Representantes da indústria afirmam que, com a interatividade, haverá ainda mais opções de aparelhos.
Ginga está em desenvolvimento há 17 anos e ainda não é comerciável
O sistema Ginga, programa que servirá como um sistema operacional do conversor, está sendo desenvolvido há 17 anos por meio de uma parceria entre o Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital, da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), e o Laboratório Telemídia, da PUC-Rio, informou o professor Luis Fernando Gomes Soares, responsável pelo Telemídia.
Ele diz que o software está pronto e que alguns fabricantes já o estão testando. "Os primeiros aparelhos com Ginga devem chegar no início do ano que vem", prevê o acadêmico.
A expectativa de Walter Duran, diretor de tecnologia da Philips, é mais pessimista: ele disse, em uma reunião com a imprensa, que o Ginga estará maduro para os fabricantes no final de 2008 e que, por enquanto, não é possível construir o aparelho que o suporte sem conhecer suas especificações finais.
"Se um computador trava, as pessoas costumam entender, porque é esperado. Mas uma TV não pode travar, senão a pessoa nunca mais compra nada daquela marca. A rejeição é muito maior em eletrônicos de áudio e vídeo", diz Duran.
O Ginga é o único programa autorizado pelo Fórum do SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital), ou seja, os fabricantes não podem instalar outra tecnologia para oferecer interatividade.
Criado com recursos das duas universidades, do Governo Federal e de empresas de eletrônicos, de radiodifusão e de telecomunicações, o sistema e as pesquisas para definir o padrão teriam custado menos de R$ 150 milhões, informou Carlos Fructuoso, membro do conselho deliberativo do Fórum da TV Digital.