Vários tipos de conversores de TV digital podem confundir consumidor
05/12/2007
Kátia Thomas - O Globo Online
RIO - Com a estréia da TV digital, os conversores, ao lado das TVs com sistema integrado para a nova tecnologia, são as "estrelas" em cena no mercado. Nem sempre o mais barato, no entanto, pode ser o mais adequado para a TV que se tem em casa. Os que têm preços mais baixos não oferecem todas as funcionalidades da nova tecnologia.
Além disso, como ainda não há à venda nas lojas os conversores com sistema Ginga, que permite a interatividade, os primeiros aparelhos lançados correm o risco de serem logo ultrapassados.
No domingo, quando a TV digital estreou oficialmente, Eugênio Staub, presidente da Gradiente, afirmou que, "nos próximos dias", a empresa -- que seria a primeira no mercado a ter conversor com o software criado no país -- vai lançar um conversor já pronto para receber o Ginga.
Já o gerente de Produto da Semp Toshiba, Deniz Lozano, confirma que os conversores à venda no momento ainda não permitem interatividade. Ele explicou que, como não tinham sido definidas as especificações para o desenvolvimento do software Ginga, responsável pela interatividade no modelo brasileiro, a empresa aguarda posição do Fórum Brasileiro da TV Digital, com aprovação do Ministério das Comunicações.
- Nossos conversores também não têm hardware para gravação. Aliás, nem a concorrência tem. Mesmo porque ainda existe uma discussão no Fórum sobre a permissão ou não da gravação de programas em alta definição por parte do consumidor. Há várias questões envolvidas como direito autoral e pirataria - observou Lozano.
A Semp Toshiba lançou dois conversores digitais para atender qualquer marca de televisor. O modelo DC 2007M SEMP-Digital Terrestrial Receiver é indicado para consumidores que possuem aparelhos de TV convencionais e custa R$ 899. Ele pode ser conectado pela entrada de antena do televisor, tem receptor de canais digitais, controle remoto unificado para o televisor e é compatível com formatos de telas quadradas e retangulares. Tem ainda saídas analógicas para áudio e vídeo.
Preparado para TVs de Plasma ou LCD, o SEMP DC 2008H - Digital High Definition Terrestrial Receiver - apresenta saída para imagens em alta definição e de áudio digital. O equipamento custa R$ 1.199.
Na linha da Philips, o conversor, nos modelos DTR1007B/78 e DTR1007W/78, que custa R$ 1.099, recebe os novos canais de TV digital e é indicado para os televisores atuais. O aparelho possui controle remoto com um cabo conector USB para multimídia, que permite acessar fotos, vídeos e músicas.
A Positivo Informática entrou no mercado com dois modelos de conversores: o DigiTV Positivo e o DigiTV HD Positivo. De acordo com Hélio Rotenberg, presidente da Positivo, o primeiro aparelho permite que todos os que possuem TV de tubo possam ver os canais abertos com qualidade de DVD.
- Mesmo quem tem televisores de LCD ou plasma com a denominação HDTV Ready também precisará de um conversor. Neste caso, a indicação é o modelo com a conexão HDMI, que permite imagens com resolução de até 1.080 linhas, conhecida como Full HD - observou Rotenberg.
Com o DigiTV Positivo, vendido a R$ 499, por exemplo, o telespectador assistirá aos programas da TV aberta com a mesma qualidade de um DVD ou TV a cabo digital. Indicado para televisores de tubo ou LCD/Plasma sem entrada HDMI, que são a maior parte dos aparelhos hoje em uso no país, o DigiTV Positivo permite a recepção do sinal digital e garante a conversão para o formato compatível com os televisores analógicos convencionais.
Mais sofisticado, o DigiTV HD Positivo, que custa R$ 699, é recomendado para quem possui TV com resoluções de 720 ou 1.080 linhas e poderá desfrutar de imagens de alta definição. Vem com cabo HDMI.
Os dois modelos requerem uma antena de sinal digital UHF para a recepção, não inclusa.
Mesmo com dificuldade em encontrar os conversores nas lojas, o consumidor, que também pode adquirir o produto pela internet, precisa saber o que cada um deles oferece.
Polêmica em torno do Ginga
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou ontem, em Brasília, que os conversores são obrigados a conter o Ginga, programa que permite a interatividade. De acordo com o ministro, o Fórum do Sistema Brasileiro da TV Digital editou novamente, na semana passada, as normas técnicas do conversor.
No entanto, segundo documento da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que divulgou as especificidades aos conversores no sábado, "o porte do Ginga é opcional".
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